Levaria uma eternidade para eu contar tudo o que aconteceu nesse meio tempo. O que eu poderia ter feito de belo eu assassinei. Aquilo que era diversão – pura, simples e sincera- tornou-se refúgio para a minha covardia. E quanto mais eu fugia, mais eu me aproximava do que queria esquecer. Certas lembranças (e conseqüentes reflexões) machucam de tal forma, que dá vontade de correr, correr... e correr. E cada humanozinho corre do seu jeito idiota. Alguns fazem filmes, outros dançam. Há também os que pintam e os que vão viajar pelo planeta. Alguns se casam e têm filhos. Outros pegam gatinhos para cuidar. Pois eu reinventei algumas velhas coisas. Agora novas velhas coisas. Sucata.
O prazeroso hoje me deprime. Idéias nunca somem da minha cabeça e estou sempre a matá-las com álcool. Tem também os alucinógenos e a cocaína. Os alucinógenos costumam incrementar o meu acervo de idéias a serem postas em prática em um dia localizado aproximadamente no infinito. A cocaína me dá vontade de falar delas virtuosamente. E quanto mais eu cheiro, mais esperançosa conto eu para o mundo os meus planos. Fato é que, também, mais escorre o meu nariz no dia seguinte. Bom, a cola também faz isso com ele. Só que com esta, meus planos parecem fazer menos sentido. Tudo bem, eles rendem grandes risadas babadas. Inclusive em mim. O álcool é o único que está realmente sempre presente. Não importa a ocasião. Ele aumenta a intensidade das coisas. Na minha lenta destruição, isso se faz bem claro. Ele é justo. Ele nunca deixa o meu nariz solitário na hora de escorrer no dia seguinte. Ele divide o lucro com o resto do corpo, até mesmo com as partes invisíveis, como a moral, a dignidade, a constante insatisfação. Eu não precisava disso. Agora eu preciso. A idade do meu corpo, com toda a sua fraqueza e seu mal-estar multiplicou-se junto com o tédio de viver. Multiplicou-se por três. Talvez mais. Não faz diferença.
Eu poderia fazer qualquer coisa e me passar por gênio incompreendido. Às vezes, acho que toda pessoa já desejou isso por um momento da sua vida medíocre. Eu poderia planejar mil reações e comportamentos e fazê-los passar por naturais, serenos. Ah, que lindo! Merda! Por que eu não nasci calculista e equilibrada? A paixão que eu costumava ter pela vida é essencialmente destrutiva. Ela me matou sem que eu percebesse. Quando me dei conta, era irreversível. Como um pão que começa a mofar. Um cadáver que começa a definhar. Fato é que a minha sinceridade foi o álibi mais precioso para julgarem a minha condição mental. Sim, para os outros a vontade e as espontaneidade presentes nos meus gestos, nas minhas falas, nos meus sentimentos, tudo isso foi bastante útil no meu julgamento. As testemunhas do meu crime alegaram que me faltavam parafusos na cabeça, que eu era maluca. Algumas atribuíram a mim apelidos “carinhosos”, como doidinha, louquinha, o caralho a quatro. Essas coisas bregas e irritantes. Nunca foi esse tipo de carinho que eu quis, que eu precisei. Certamente. Algumas das testemunhas oculares não têm peso algum na minha vida. Elas que vão para o inferno! O que me dói são as eu abracei, as que eu beijei, as que eu quis bem. Por algumas eu teria dado a vida, teria contado os minutos para encontrá-las. Mas não deu tempo. Elas entregaram a minha cabeça antes para o juiz bater o martelo. São uns ratos. O crime da sinceridade é inafiançável. A minha sentença é a prisão perpétua e o juiz é o mundo.
O prazeroso hoje me deprime. Idéias nunca somem da minha cabeça e estou sempre a matá-las com álcool. Tem também os alucinógenos e a cocaína. Os alucinógenos costumam incrementar o meu acervo de idéias a serem postas em prática em um dia localizado aproximadamente no infinito. A cocaína me dá vontade de falar delas virtuosamente. E quanto mais eu cheiro, mais esperançosa conto eu para o mundo os meus planos. Fato é que, também, mais escorre o meu nariz no dia seguinte. Bom, a cola também faz isso com ele. Só que com esta, meus planos parecem fazer menos sentido. Tudo bem, eles rendem grandes risadas babadas. Inclusive em mim. O álcool é o único que está realmente sempre presente. Não importa a ocasião. Ele aumenta a intensidade das coisas. Na minha lenta destruição, isso se faz bem claro. Ele é justo. Ele nunca deixa o meu nariz solitário na hora de escorrer no dia seguinte. Ele divide o lucro com o resto do corpo, até mesmo com as partes invisíveis, como a moral, a dignidade, a constante insatisfação. Eu não precisava disso. Agora eu preciso. A idade do meu corpo, com toda a sua fraqueza e seu mal-estar multiplicou-se junto com o tédio de viver. Multiplicou-se por três. Talvez mais. Não faz diferença.
Eu poderia fazer qualquer coisa e me passar por gênio incompreendido. Às vezes, acho que toda pessoa já desejou isso por um momento da sua vida medíocre. Eu poderia planejar mil reações e comportamentos e fazê-los passar por naturais, serenos. Ah, que lindo! Merda! Por que eu não nasci calculista e equilibrada? A paixão que eu costumava ter pela vida é essencialmente destrutiva. Ela me matou sem que eu percebesse. Quando me dei conta, era irreversível. Como um pão que começa a mofar. Um cadáver que começa a definhar. Fato é que a minha sinceridade foi o álibi mais precioso para julgarem a minha condição mental. Sim, para os outros a vontade e as espontaneidade presentes nos meus gestos, nas minhas falas, nos meus sentimentos, tudo isso foi bastante útil no meu julgamento. As testemunhas do meu crime alegaram que me faltavam parafusos na cabeça, que eu era maluca. Algumas atribuíram a mim apelidos “carinhosos”, como doidinha, louquinha, o caralho a quatro. Essas coisas bregas e irritantes. Nunca foi esse tipo de carinho que eu quis, que eu precisei. Certamente. Algumas das testemunhas oculares não têm peso algum na minha vida. Elas que vão para o inferno! O que me dói são as eu abracei, as que eu beijei, as que eu quis bem. Por algumas eu teria dado a vida, teria contado os minutos para encontrá-las. Mas não deu tempo. Elas entregaram a minha cabeça antes para o juiz bater o martelo. São uns ratos. O crime da sinceridade é inafiançável. A minha sentença é a prisão perpétua e o juiz é o mundo.
21/02/2009

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