Quase desmaios
O som vai ficando distante, como se o ouvido fosse tampado aos poucos por uma nuvem densa. Vai ficando cada vez mais distante, longe, irreal. Fica um clima surreal.
A luz vai se apagando, mas de um jeito um pouco desesperador, diferente do primeiro. A visão se fecha como um diafragma em câmera lenta, muito lenta. Lenta e indecisa. Tem um pouco de vai-e-volta. Mas os ruídos vão sumindo com mais certeza de seu rumo. Desaparecem com precisão. Passam a fazer parte de outro plano, outra vida, outra cena.
Parece que estou num sonho que não é bom, mas que, no entanto, em nada se assemelha a um pesadelo. E então, com o pouco que me resta de percepção, sinto minhas pernas moles, estou quase caindo, não posso cair, não quero cair, alguém me ajuda, vou cair, não dá tempo de abrir esse pacote de biscoito, não dá tempo de comer nada, eu vou cair, não vou aguentar, eu quero aguentar, eu não consigo. Escolho o mais seguro: me sento no chão. Estou quase caindo, um pouco aqui, um pouco lá. Uma moça simpática tenta me ajudar a levantar. Tento levantar, não tenho muita força, não faço muito esforço. Queria derreter ali e sumir por alguns minutos. Eu estou suando demais, tá tudo muito longe, as vozes ao meu lado me tocam do infinito. E eu estou no chão.
Eu estou numa maca, suando frio ainda, mas recuperando a audição, a visão, o tato. Como é bom se sentir viva. Preciso de um chá bem açucarado e alguns biscoitos. Preciso andar, preciso respirar. Eu quero.
Há uns quatro anos, eu tentei me manter de pé em uma situação semelhante, mas o meu material escolar era muito pesado e eu tava mole demais. Espatifei no chão. Lembro de acordar numa maca com umas pessoas em volta. Mas antes de acordar, eu me lembro de estar lá, suando e com uma sensação que nunca esqueci: por algum motivo eu me vi num canto, sentada, encolhida, e pessoas passando de um lado para o outro em uma sala que nem existia. E ninguém me via ou ouvia. Uma situação semelhante e uma resposta contrária.
Hoje eu não vi nada, ninguém. Parecia um túnel e eu fui entrando em mim. Algumas maneiras de perceber o mundo (do eu e do não-eu) mudaram muito em mim nos últimos anos. Estão mudando.
Não é muito fácil lidar com esses quases. Ainda mais quando são tão longos, isto é, quando podem ser percebidos. Auto-controle é fundamental. A loucura já me cansou. Não quero mais a vida nesse prestíssimo. Gosto da paz. Paz de sentir, de acariciar, de descansar, de passar, de doar, de admirar, de agradecer, de ser.
O som vai ficando distante, como se o ouvido fosse tampado aos poucos por uma nuvem densa. Vai ficando cada vez mais distante, longe, irreal. Fica um clima surreal.
A luz vai se apagando, mas de um jeito um pouco desesperador, diferente do primeiro. A visão se fecha como um diafragma em câmera lenta, muito lenta. Lenta e indecisa. Tem um pouco de vai-e-volta. Mas os ruídos vão sumindo com mais certeza de seu rumo. Desaparecem com precisão. Passam a fazer parte de outro plano, outra vida, outra cena.
Parece que estou num sonho que não é bom, mas que, no entanto, em nada se assemelha a um pesadelo. E então, com o pouco que me resta de percepção, sinto minhas pernas moles, estou quase caindo, não posso cair, não quero cair, alguém me ajuda, vou cair, não dá tempo de abrir esse pacote de biscoito, não dá tempo de comer nada, eu vou cair, não vou aguentar, eu quero aguentar, eu não consigo. Escolho o mais seguro: me sento no chão. Estou quase caindo, um pouco aqui, um pouco lá. Uma moça simpática tenta me ajudar a levantar. Tento levantar, não tenho muita força, não faço muito esforço. Queria derreter ali e sumir por alguns minutos. Eu estou suando demais, tá tudo muito longe, as vozes ao meu lado me tocam do infinito. E eu estou no chão.
Eu estou numa maca, suando frio ainda, mas recuperando a audição, a visão, o tato. Como é bom se sentir viva. Preciso de um chá bem açucarado e alguns biscoitos. Preciso andar, preciso respirar. Eu quero.
Há uns quatro anos, eu tentei me manter de pé em uma situação semelhante, mas o meu material escolar era muito pesado e eu tava mole demais. Espatifei no chão. Lembro de acordar numa maca com umas pessoas em volta. Mas antes de acordar, eu me lembro de estar lá, suando e com uma sensação que nunca esqueci: por algum motivo eu me vi num canto, sentada, encolhida, e pessoas passando de um lado para o outro em uma sala que nem existia. E ninguém me via ou ouvia. Uma situação semelhante e uma resposta contrária.
Hoje eu não vi nada, ninguém. Parecia um túnel e eu fui entrando em mim. Algumas maneiras de perceber o mundo (do eu e do não-eu) mudaram muito em mim nos últimos anos. Estão mudando.
Não é muito fácil lidar com esses quases. Ainda mais quando são tão longos, isto é, quando podem ser percebidos. Auto-controle é fundamental. A loucura já me cansou. Não quero mais a vida nesse prestíssimo. Gosto da paz. Paz de sentir, de acariciar, de descansar, de passar, de doar, de admirar, de agradecer, de ser.

1 Comentários:
Adorei este ultimo paragrafo!!! Tão sincero...ilustra muito bem essa nova fase que você está vivendo! E pra variar também me identifiquei...
Quem diria que nós, tão avessas à normalidade (onde céus, países e amores sobrehumanos eram pouco), hoje precisamos apenas de paz.
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