13 de junho de 2010

Alívio num domingo de sol

Monografia terminada, que alívio. Vou dar um rolezão de bike pra esquecer um pouco o planejamento urbano, vou me enfiar nas ruas desconexas, no mapa móvel da cidade e pedalar por aí.

E depois é só alegria: escrever um ensaio sobre o silêncio em John Cage, pirar de leve, flutuar em bolhas de sabão e depois voltar, tocar a terra, espalhar um pouco dela no chão enquanto fricciono com os dedos grãos minúsculos contra a palma da mão.

E, depois do silêncio, e até mesmo junto dele, experimentar novamente o peso de um Bach, definindo dedilhados e arcadas. Saltar de cabeça num Sevcik e me emocionar a cada exercício que vai se formando cada vez mais preciso, cada vez novo. E, enquanto canto um lá dentro de mim, ouço a música dos dedos re-configurando tensões, batucando partes que ficam esquecidas às vezes, arcos que pulam com o acaso, desbravando sons.

E há tantos passarinhos por aqui, no quintal cantando, na cozinha roubando migalhas de pão, e nos quartos procurando uma janela!

Misturo tudo, separo tudo, tempero tudo e componho uma sinfonia.

1 Comentários:

Blogger Bruna La Serra disse...

Ai Bruna que texto lindo! Sem pretensões, sem cópias, sem palavras difíceis, sem nostalgia amarga, sem doenças, neuroses, sem alarmar... Somente minha Bruna dos velhos tempos: aquela que anda de bike, que tempera o mundo e observa os passarinhos. Ai, essa ultima frase do seu texto me emocionou o coração *_*

00:26  

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