Os adesivos e O Amante
De férias, com todos os livros que comecei esse ano terminados, coisa rara pra quem tem mania de ler 4, 5 ao mesmo tempo e não consegue terminar um, de repente me senti sozinha. Assim, fui procurar em uma coleção que montei no segundo colegial algo que me chamasse atenção. E lá encontrei O Amante, Marguerite Duras. Lembro-me de ter começado e - que novidade! - não ter terminado na época. Claro, 15 ou 16 anos, mais interessada em bandas do que em garotos (a não ser quando confusa e avoada por amores platônicos), não consegui levar à cabo essa leitura. Por incrível que pareça, Virginia Woolf me fez mais sentido naquele momento. Não sei como aconteceu, mas eu entendia e me identificava com aquela escrita e eu não saberia explicar o porquê.
No entanto, que me fez vir até aqui escrever foi a surpresa nostálgica que tive ao reabrir o livro. Nele encontrei, escondidinhas lá no fundo, duas cartelas de adesivo, tiradas de alguma dessas agendas coloridas e simpáticas de menina. Isso, de menina. Foi justamente o que me comoveu. Os adesivos tão coloridos estavam amarelados. Fiquei pensando em mim, seis anos depois; fiquei pensando que talvez os amores (e os não-amores) vividos num futuro mais ou menos próximo desse meu passado, futuro este que também já é passado, fiquei pensando que talvez eles tivessem me transformado numa criatura um pouco mais amarelada. Um pouco anêmica. Anêmica de não saber, anêmica de desespero diante do que hoje posso chamar cinicamente de besteira.
De férias, com todos os livros que comecei esse ano terminados, coisa rara pra quem tem mania de ler 4, 5 ao mesmo tempo e não consegue terminar um, de repente me senti sozinha. Assim, fui procurar em uma coleção que montei no segundo colegial algo que me chamasse atenção. E lá encontrei O Amante, Marguerite Duras. Lembro-me de ter começado e - que novidade! - não ter terminado na época. Claro, 15 ou 16 anos, mais interessada em bandas do que em garotos (a não ser quando confusa e avoada por amores platônicos), não consegui levar à cabo essa leitura. Por incrível que pareça, Virginia Woolf me fez mais sentido naquele momento. Não sei como aconteceu, mas eu entendia e me identificava com aquela escrita e eu não saberia explicar o porquê.
No entanto, que me fez vir até aqui escrever foi a surpresa nostálgica que tive ao reabrir o livro. Nele encontrei, escondidinhas lá no fundo, duas cartelas de adesivo, tiradas de alguma dessas agendas coloridas e simpáticas de menina. Isso, de menina. Foi justamente o que me comoveu. Os adesivos tão coloridos estavam amarelados. Fiquei pensando em mim, seis anos depois; fiquei pensando que talvez os amores (e os não-amores) vividos num futuro mais ou menos próximo desse meu passado, futuro este que também já é passado, fiquei pensando que talvez eles tivessem me transformado numa criatura um pouco mais amarelada. Um pouco anêmica. Anêmica de não saber, anêmica de desespero diante do que hoje posso chamar cinicamente de besteira.

1 Comentários:
Finalmente um Amante que traz uma boa surpresa, um bom sentimento... risos! Eu me lembro dessas cartelinhas de adesivos! Quantos segredos e emoções rosa-choque moravam em nossas agendas! Você não é mais pink mas também não é uma criatura anêmica. Está no meio do caminho. Um salmão suave que é a mistura das duas cores. Um salmão misterioso e ousado que só você sabe ser!
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