06:02h. Estou acordada há mais de duas horas, só pensando, pensando. Eu fico muito mais ativa pela manhã. Ver o Sol nascer, fraquinho, um gigante sem força alguma. E vai subindo no céu, rasgando um infinito azul indefinido. É mais ou menos como eu acordo, lenta, aos poucos vou pensando nas coisas, com calma. Preguiçosamente vou voltando ao meu corpo. Sinto o ar preencher cada centímetro, para depois sair, momento que eu não percebo muito bem, mas que transmite uma paz, um relaxamento bom. Nos últimos anos, eu mal estava acordando com despertador. Muitas vezes, ele tocava durante 1h, de 5 em 5 minutos. E que tristeza que me dava, não tinha vontade de fazer coisas, de cumprir tarefas. Esse momento de ócio que estou tendo após trancar a faculdade é crucial na minha vida, talvez muito mais essencial e básico ao mesmo tempo do que outros métodos que venho experimentando, como terapia, uso de remédio psicotrópico (em relação aos quais sempre me posicionei contra, uma vez que não acredito na cura como sendo unicamente o tratamento dos sintomas), etc. Não importa que linha vamos seguir no tratamento daquilo que não nos faz bem, descobri que o mais importante é ter calma. Parar para pensar, respirar. É se propor a ir atrás de si mesmo. Onde foi que enfiei meu eu? Onde foi que o escondi? E por que eu o fiz?
Eu gosto de escrever com a leveza de ser sincera comigo mesma, de não querer parecer. Ser simplesmente. As coisas no silêncio ficam mais claras para mim, os pequenos detalhes da manhã. Sinto o meu corpo, essa morada passageira da minha alma, entrando em contato com o Universo, com o mundo, não esse mundo descompassado que eu estou acostumada a ver, a perceber. O mundo formado por cada ser, animado ou não. Não esse mundo determinado por seres que estão confusos, que, muitas vezes, acabam por agir num sentido que não engloba nem ele mesmo, em um sentido que só cabe o seu ego. Minha postura agora não tem sido simplesmente ignorar meu eu. Meu eu é tão importante quanto o resto do mundo, afinal é ele quem me faz percebê-lo. Por isso, tentei buscar uma nova maneira de olhar para dentro de mim, evitando, por um lado, anular meu indivíduo e, por outro, agir em função do meu ego. Essa terceira opção não é exatamente um ponto entre as duas outras. Ela é uma soma das duas, no sentido de que acho fundamental me reconhecer como indivíduo, único e gigante na minha pequenez. Além disso, não agir em função do ego não significa desprezá-lo, ignorá-lo. Acho indispensável nesse meu processo observar o que meu ego pede, a maneira como ele deseja que eu aja. E, a partir disso, tentar compreender o meu eu e as falhas de comunicação entre ele (percepção e conhecimento) e aquele eu que existe para o mundo (ações). Eu não sei exatamente qual o sentido que se atribui normalmente a indivíduo e a ego enquanto conceitos, mas o que eu quis dizer quando falei de ego, é que o entendo como uma relação entre o nosso ser e o que está externo a ele. É nesse sentido que o entendo como um importante intermediário e está sendo para mim bastante enriquecedor percebê-lo como caminho, como intermédio dessa relação. Por isso acredito que não devo, de modo algum, esquecê-lo por enquanto, mas prestar atenção ao que ele tem para me dizer, no que ele pode apontar. O caminho me parece bastante longo, mas sinto que o grande barato da vida é não deixar de segui-lo.
Eu gosto de escrever com a leveza de ser sincera comigo mesma, de não querer parecer. Ser simplesmente. As coisas no silêncio ficam mais claras para mim, os pequenos detalhes da manhã. Sinto o meu corpo, essa morada passageira da minha alma, entrando em contato com o Universo, com o mundo, não esse mundo descompassado que eu estou acostumada a ver, a perceber. O mundo formado por cada ser, animado ou não. Não esse mundo determinado por seres que estão confusos, que, muitas vezes, acabam por agir num sentido que não engloba nem ele mesmo, em um sentido que só cabe o seu ego. Minha postura agora não tem sido simplesmente ignorar meu eu. Meu eu é tão importante quanto o resto do mundo, afinal é ele quem me faz percebê-lo. Por isso, tentei buscar uma nova maneira de olhar para dentro de mim, evitando, por um lado, anular meu indivíduo e, por outro, agir em função do meu ego. Essa terceira opção não é exatamente um ponto entre as duas outras. Ela é uma soma das duas, no sentido de que acho fundamental me reconhecer como indivíduo, único e gigante na minha pequenez. Além disso, não agir em função do ego não significa desprezá-lo, ignorá-lo. Acho indispensável nesse meu processo observar o que meu ego pede, a maneira como ele deseja que eu aja. E, a partir disso, tentar compreender o meu eu e as falhas de comunicação entre ele (percepção e conhecimento) e aquele eu que existe para o mundo (ações). Eu não sei exatamente qual o sentido que se atribui normalmente a indivíduo e a ego enquanto conceitos, mas o que eu quis dizer quando falei de ego, é que o entendo como uma relação entre o nosso ser e o que está externo a ele. É nesse sentido que o entendo como um importante intermediário e está sendo para mim bastante enriquecedor percebê-lo como caminho, como intermédio dessa relação. Por isso acredito que não devo, de modo algum, esquecê-lo por enquanto, mas prestar atenção ao que ele tem para me dizer, no que ele pode apontar. O caminho me parece bastante longo, mas sinto que o grande barato da vida é não deixar de segui-lo.

2 Comentários:
É, a rotina nos torna menos nós e a gente nem percebe. Que bom que você está mais tranquila!
Adorei o blog (:
"Isso tudo não se concilia? Bela verdade. Uma mulher que se abandona para ir ao cinema, um velho que não é mais ouvido, uma morte que nada resgata, e então, do outro lado, toda luz do mundo. Que diferença faz isso, se tudo se aceita? Trata-se de três destinos semelhantes e, contudo, diferentes. A morte para todos, mas a cada um a sua morte. Afinal, o sol nos aquece os ossos, apesar de tudo."
- Albert Camus
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