14 de agosto de 2010


Humanidade

Nos últimos tempos, havia me tornado alguém menos ranzinza. Pensei que não fosse mais pensar o que sempre pensei da humanidade. Repugnante. Como pode tanto lixo? Pensei que o amor tivesse sido um grande herói, me resgatando dum vazio gigante que dominava o meu ser. Comecei a acreditar num mundo melhor, mais bonito. Mas não, não foi. O amor não salva - e por que continuo querendo salvação? O amor tem suas virtudes, mas não é salvador de nada, de ninguém e nem tem que ser. A ilusão deve ser. Mas, desilusão, como seu gosto é amargo, é podre.
O ser humano é tão escroto que é capaz de contemplar aqueles que escrevem "genialmente" acerca da infelicidade, porque nada de real lhes sobrou. Gênio da literatura, gênio do cinema, gênio da fotografia, gênio disso ou daquilo. Reparem bem na proporção entre os que falam de sofrimento (incluindo os que associam qualquer possibilidade de bondade à dor) e aqueles que falam de beleza, bondade, alegria por si só.
É a roda da fortuna? Deve ser. Que porcaria baixa é o ser humano.
Felizes daqueles que não sabem o que é felicidade.
Felizes daqueles que não sabem de nada. Que latem. Que miam. Que brilham. Que fedem.
Tristes daqueles que pensam.

Mas, e agora, que já nascemos fadados ao pensar? E agora, é possível viver uma vida completa?

Não quero genialidade em nada, não quero diferenciais, não quero sorte, não quero dons. Bom, pelo menos tudo seria melhor se eu não pensasse nisso, se eu, ao invés de desejar o não-querer, não desejasse simplesmente. Quero viver. Não quero querer.

1 Comentários:

Blogger Bruna La Serra disse...

É um texto triste porque não fala de você ou só de mim. Fala de todos nós. E como é triste concordar com cada linha dele.
Ah, esse querer que não nos abandona....

23:37  

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