31 de outubro de 2010

Amor, música e um pouco de (bastante!) psicologia barata

Quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que o amor é a ponte entre a alma e a música. Eles têm a mesma cor, só tem funções diferentes. Um é o objeto, a realização em si. O outro é o veículo. Mas vão se fundindo num só às vezes... Se eu tento separá-los, vejo o quanto se fizeram parecidos na minha história pequena: enquanto o medo sempre assombrou a minha capacidade de amar e a minha capacidade de crescer dentro da música, eu vivi sempre precisando dos dois. O medo que sempre tive de todas as audições, que me enrijeceu os dedos, acelerou os pulsos; e nas aulas, fez minha voz fraquejar diante dos solfejos e estudos de rítmica. Vergonha de cantar. Vergonha de tocar. Vergonha de ser o que mais me satisfaz.

Em 10 anos, fiquei muito rouca de tanto falar para dentro, para baixo e raspando a garganta. Aliás, não só rouca. Fiquei corcunda, com vergonha dos seios grandes, mas isso é uma outra história, apesar de beber na mesma fonte, e terá de ser contada numa outra oportunidade. Tive muito emdo de deixar vibrar dentro e fora da boca a voz que quer sair da alma, mas é tão oprimida. Quanto aos motivos, tenho minhas suspeitas, ainda muito vagas, abstratas...

Há 3 dias, sonhei que estava em mais uma audição de fim de ano, mas dessa vez eu não ia tocar violino. Eu ia cantar! Simplesmente congelei, minha voz não saía. Saí correndo, chorando que nem criança, frustrada mais uma vez pelo meu próprio nervosismo. Eu queria ter cantado, mas sem o peso da insegurança. Eu queria, sobretudo, ter amado sem o peso da insegurança.

Como sempre digo para mim mesma e para quem quer que seja: não adianta chorar sobre o leite derramado. Apenas tento fazer com que a vida continue satisfatoriamente, sem ser empurrada com a barriga. Estou muito feliz hoje por ter conseguido terminar um exercício do Hindemith que, para mim, é muito difícil. Meu estudo inteiro de música tem muitas lacunas. Estou feliz que hoje em dia estou sabendo prenchê-las, ainda que aos poucos. Dizem que a paciência é uma virtude. Para mim sempre foi uma utopia, inquieta que sou. Um dos maiores ensinamentos que tiro das aulas de Yoga é o exercício diário da paciência, não a sofrida nem a conformista, mas o controle dos nossos próprios movimentos, dos mais básicos, simplesmente, com calma. Uma mudança de olhar simplesmente.

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