Com esses olhos fundos
Com esses olhos fundos, vejo mais do que gostaria. Tudo se encaixa, nada se resolve. Por que, mãe, você faz isso? Pai, que eu faço para te irritar tanto? Irmã. Deixem-me sonhar, não me pisoteiem dessa maneira, sempre essa dose lenta, pequena, que só eu vejo. Chega disso e chega mais perto, vê que tenho sonhos. Será que ainda os tenho? Sou irmã mais velha, mas ainda assim, sou irmã. Pai, eu não sou minha mãe, pra você chegar e descontar suas frustrações. Mãe, eu não sou pistola pra você atirar em meu pai, culpando-o pela minha tristeza. Acordem, pelo amor de deus, sou humana. Não sou instrumento. Não sou ameaça. Era pra eu ser filha. Fecho meus olhos e tudo isso continua. Estou num ninho de serpentes, sem veneno, mas com dentes afiados. Quisera eu saber a verdade e me satisfazer com ela, como fazem os prepotentes.Tenho a sensação de saber das verdades e a impotência de revertê-las. E é isso que me mata todo dia um pouco.

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