5 de novembro de 2010

Tiro na boca


Um tiro na boca mata
Mas um tiro na boca
Antes faz a voz se calar
Uma bala na garganta
Tampa a entrada do ar
Sufoca o choro doído
Não deixa falar
Aborta o canto
ainda nem nascido.

Um tiro na boca não dói
O que dói mesmo é quando
tiram a bala, sem anestesia
Sem aviso e sem piedade
Mas tirem essa coisa logo
Já não consigo respirar
Suo e tremo, tenho medo
Meu corpo precisa aguentar
Eu quero aguentar
Mas dói. Dói. Dói.

Ouço o tilintar da bala
que cai numa bandeja de aço
Está suja se sangue
É grande, gorda e pesada
E está fora de mim
Quem atirou?
Não pude ver nada
Foi tão de repente
Também não lembro
quem me salvou.

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