12 de fevereiro de 2011

Sem vida

Meu sangue não é o mais o mesmo.
Menina tinhosa. Nunca ficou doente. Nunca teve frescura, do tipo que comia a cartilagem da carne, os ossos dos frangos, a escama do peixe. Chorona sempre foi - tentou compensar durante a vida o momento do nascimento: nasceu e não chorou. Mas a solidão nunca havia lhe doído. Se virava muito bem sozinha. No meio das pessoas, era um pouco tímida, mas nada demais.
Como a solidão me dói hoje. Sinto falta das pessoas queridas que tomaram outros rumos, distância dolorida para mim. Espero que todas estejam bem. Apegada ao meu namorado como não gostaria de ser (de um jeito que ele nunca via entender, sorte a dele), insegura como nunca tivera sido antes. Tenho medo até quando me aproximo demais da minha única grande amiga: e se nos perdermos mais uma vez? Mas eu gosto de estar com ela. É quase como quando tínhamos 12 anos, quando vivíamos grudadas e não precisávamos de mais ninguém. A diferença é que, antes, eu não tinha medo do futuro, não tinha medo da perda, não conhecia esse tipo de valor.
Hoje sinto dores sempre, dos pés à cabeça. Sempre tem algo que me faz sentir "bichada". Saudades de quando eu não sabia o que era dor de cabeça, dor de estômago, antibiótico, cólica, tpm, indisposição, mágoa, ressentimento, ressacam ciúmes, febre, amigdalite (toncilite!), rinite, alergias - quantas alergias estranhas!, enxaqueca - enxaqueca - enxaqueca (uma enxaqueca daquelas é capaz de mudar a vida das pessoas radicalmente!).
Fico pensando qual foi a fórmula mágica que me levou pro buraco: vegetarianismo? drogas? vida desregrada? excesso de estudo? ciúmes? insegurança? egoísmo? imaturidade? genética?
Eu estou tentando consertar tudo, mas tá difícil. Às vezes, quero ir no psicólogo, aí me lembro que não tenho meu próprio dinheiro para pagar um. E minha mãe não investirá mais uma vez em uma cura para mim - eu largo tudo no meio e odeio isso. Meu sangue não é o mais o mesmo. Agora ele é fraco, lento, gorduroso, triste, sem cor, sem vida.
E isso diz respeito a mim somente.
Eu queria um futuro bom, seja lá o que isso quer dizer.

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