10 de fevereiro de 2011

Sonho secreto

A mãe, o pai, o irmão, a irmã, o cachorro, o coelho, os tios, as tias, os primos, as primas, as amigas, os amigos, os vizinhos, os colegas, os professores, os estranhos: todos torceram o nariz. Alguns lhe disseram: não, o violino não é ara você. Uns fecharam a janela com veemência: que barulho chato! Outros não conseguiram disfarçar sua frustração, às vezes irritação. Ficaram todos na expectativa, afinal, ela tocava há tantos anos. Mas ninguém nunca entendeu que ela nasceu para o violino.

Queria poder chutar tudo. A faculdade, as pessoas e suas opiniões miseráveis e insensíveis, a minha insegurança, a minha rotina. O seu desejo de tocar era gigante. Seu sonho de um dia poder ensinar música era tão secreto que ela mesma esqueceu.

Quem sabe um dia não faço as malas e vou para Tatuí? Disseram-me que música não era dom, era, sim, trabalho árduo. Devia ter acreditado, antes que eu deixasse me abalar pelas mesquinharias, as minhas e as do mundo... Por enquanto, sinto-me velha e desacreditada.

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