14 de novembro de 2010

Era uma vez um castelo

Era uma vez um reino pequeno. Não tinha servos nem corte. Havia muitos animais, animais de muitas cores, muitos tamanhos, animais de todo o tipo. E havia uma bela rainha, que morava sozinha em um castelo bonito, com os seus bichanos. Às vezes, os animais brigavam. Mas não era nada demais, a rainha intercedia e logo faziam as pazes.
Num dia bonito, sem mais nem menos, chegam os macacos e dizem à rainha solitária: os leões mandaram avisar que há um príncipe nos portões e ele lhe pede permissão para entrar. A rainha, que já havia se esquecido dos humanos, acha estranho, mas está bastante curiosa e permite a entrada do moço no reino.
Antes mesmo que o príncipe, de tão grande beleza, chegasse aos pés da torre em que a rainha se resguardava, os dois já não conseguiam desgrudar o olhar. E dias se passaram sem que eles parassem de contemplar um ao outro. Conversaram, riram, ele tocou músicas celestiais de tão belas em seu alaúde. Estavam apaixonados. E sequer entendiam como isso aconteceu: ele que adentrou o reino só por curiosidade e ela, que já estava desacreditada da humanidade e já em paz com seus animais. E eles queriam construir um vida juntos, queriam cuidar daquele reinado. Mas, para isso, o futuro rei precisava chegar até o alto da torre do castelo. Pelo menos foi o que ele achou. Então, ele começa a escalar a torre, golpeando as suas pedras milenares. Quanto mais ele golpeia, mais a torre se abalava. Mas ele não desiste. Quer encontrar o seu amor. A rainha está com medo, ela está falando um monte de coisas, mas ele está tão decidido que não consegue ouvir, os golpes que dá com a sua foice afiada o deixam surdo!
Finalmente, ele chega ao topo e encontra sua amada. A rainha está sentada à sua espera. Mas em volta não existe mais castelo. Só existem ruínas ao redor deles. Agora ele pode ouvi-la. E ela lhe diz: a porta estava aberta.

2 Comentários:

Blogger Bruna La Serra disse...

Ah, Bru que coisa mais linda! Que suave, que poético e como todo conto de fadas é mto psicanalítico! Não sei o que foi que despertou a minha Bruna hoje, só sei que essa é minha amiga que há muito tempo não encontro. Forte, criativa, poética, escritora... Seja bem vinda de volta!

17:41  
Anonymous Maria Alice Ximenes disse...

Pois é, as vezes o simples é tão complicado...
parabéns pelo texto, é de uma sensibilidade e detalhamento que pude imaginar cada momento da narrativa...

21:59  

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