
Entre 16 e 18 anos escrevi um pequeno livro, misturado de poesia e devaneios cotidianos em formas várias. Qualidade literária, nenhuma. Mas que tem um valor imenso pra mim, tem. É um valor que transcende apego, tanto é que já dei ele pra outrem sem mesmo ter uma cópia. É um valor de carinho, de respeito à figurinha confusa que eu era, menina cheia de dúvidas, das mais angustiantes às mais inocentes. Um dia, enfurecida com a pessoa presenteada e com toda a nossa situação, rasgo todo ele. E, depois, arrependida, colo as partes com durex, um pouquinho por dia. E nesse meio tempo, o livro some. Viro e reviro caixas e gavetas. Nada do livro aparecer. Durante a procura, tive umas surpresas legais, como fotos antigas, cartas de "amigas inseparáveis" do ginásio e do colegial, cartas de um ou outro paquerinha de quando eu tinha uns 15 anos, cartas que nunca mandei por me faltar coragem, bilhetes trocados durante alguma aula a que não dei atenção, tive um momento gostoso de nostalgia, não saudade doída. Reencontros comigo. E nada do livro.
Pois hoje procurei mais uma vez por ele. E nada. E há 10 minutos reclamo dele ao namorado: poxa, o livro que eu ia remendar pra te dar de novo, sumiu, fico triste com isso. É parte de mim! E então, vou guardar minhas canetinhas na minha caixa de pintura (a mesma de que eu as tirei, ainda hoje!) e quem está lá? Meu livro.
Você (que já fui eu), você estava esperando por mim esse tempo todo.