21 de setembro de 2010

Atarefada

Atarefada, ia se esquecendo de viver.
De repente, sem motivo, parou.
Ouviu respirar o seu corpo cheio de fluidos.
Precisava ouvir esse silêncio todo.

11 de setembro de 2010

Caixa mágica


Entre 16 e 18 anos escrevi um pequeno livro, misturado de poesia e devaneios cotidianos em formas várias. Qualidade literária, nenhuma. Mas que tem um valor imenso pra mim, tem. É um valor que transcende apego, tanto é que já dei ele pra outrem sem mesmo ter uma cópia. É um valor de carinho, de respeito à figurinha confusa que eu era, menina cheia de dúvidas, das mais angustiantes às mais inocentes. Um dia, enfurecida com a pessoa presenteada e com toda a nossa situação, rasgo todo ele. E, depois, arrependida, colo as partes com durex, um pouquinho por dia. E nesse meio tempo, o livro some. Viro e reviro caixas e gavetas. Nada do livro aparecer. Durante a procura, tive umas surpresas legais, como fotos antigas, cartas de "amigas inseparáveis" do ginásio e do colegial, cartas de um ou outro paquerinha de quando eu tinha uns 15 anos, cartas que nunca mandei por me faltar coragem, bilhetes trocados durante alguma aula a que não dei atenção, tive um momento gostoso de nostalgia, não saudade doída. Reencontros comigo. E nada do livro.
Pois hoje procurei mais uma vez por ele. E nada. E há 10 minutos reclamo dele ao namorado: poxa, o livro que eu ia remendar pra te dar de novo, sumiu, fico triste com isso. É parte de mim! E então, vou guardar minhas canetinhas na minha caixa de pintura (a mesma de que eu as tirei, ainda hoje!) e quem está lá? Meu livro.
Você (que já fui eu), você estava esperando por mim esse tempo todo.

Um pouco de sensatez

Um pouco de sensatez tem sido tão necessário quanto pão e água nos últimos tempos.
Mas é sensatez em forma de vento, não de rocha. É algo como "vai, deixa passar, deixa ser, deixa ir.". Mais como o sol fraquinho da manhã aquecendo meus ossos, fazendo a dor sumir. Eu gosto do dia mais que da noite. Pode não ser tão sedutor quanto, mas sempre foi assim.

10 de setembro de 2010

Uluru

Na verdade, a cordilheira dos Andes estava do outro lado do mundo, bem no meio do deserto australiano. Não é tão comprido, mas é tão sagrado quanto.
Uma montanha deve ser sempre uma montanha, independente se nela grama cresce ou vento passa. Não tiremos seus pedaços, traz má sorte. O que é seu não é de mais ninguém. E ninguém sabe mais disso do que seus guardiões.

6 de setembro de 2010

E o ódio já passou

Agora desejo-lhe paz, que possa seguir em frente com dignidade.
Desejo-lhe muito amor, porque sei o quanto isso te faz uma pessoa melhor.
Nossos momentos maus, nossos momentos bons, tudo ficou para trás e a vida é assim mesmo.
Não tenhamos uma despedida cheia de rancor e frustração. Passou.
Agora, vai. Vamos ser felizes andando por outros caminhos, agradecidos pelo que já foi - e como foi intenso - e um pouco mais crescidos para o que está por vir.
Eu sempre te desejei tudo de melhor, ainda desejo.

5 de setembro de 2010

Guilherme

Só Deus sabe o quanto eu te amei.

Já era

Já foi.
Será que um dia foi?
Acho que sim. Mas já não é há muito, isso eu sei.

Quem duvida o rabo espicha

Fico sempre em dúvidas de não sei que
se vou ou se fico
se guardo ou grito
se faço questão
ou não

Já cantei muitas vezes "mas a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza..." e, brega ou não, sempre fez sentido!

4 de setembro de 2010

Inaici

Hoje, no meu sonho, você cantava algo que dizia "Inaici" e me dizia que significava "uma cavalaria de culpa". Que mente maluca a minha! E que tristeza na sua cara anêmica, menina!
Justo agora, que tudo passou, você foi carregar esse peso, justo agora que eu fiquei tão leve, justo agora que eu me perdoei tão completamente, que toda a culpa se foi. Ah, ele já não me faz sentir assim, culpada.
Estou flutuando no céu com pés sujos, deliciosamente sujos de terra e vida.

1 de setembro de 2010

Perda de memória

Não, o que eu era, de onde eu vim, tudo isso eu não havia esquecido.
Mas o que eu tinha feito? Disseram-me que pesquei um peixe pequeno, mas, ainda assim, era um peixe, vivo e saudável. Não me lembro. Que apavorante é ter lacunas gigantes na memória, não lembrar absolutamente nada do que se fez.
Pode-se ainda ser aquilo que se é independente do que se faz. Quero saber, porém, o que eu ando fazendo. O que minha memória escondeu de mim? Eu quero te ver, frente a frente.