30 de novembro de 2011

Botões

Deixei, sem querer, botões vermelhos caírem pelo meio do caminho. Na verdade, deixei que fossem roubados, bem debaixo do meu nariz. E segui meu rumo. Não me importei de continuar sem eles e sem outras tantas coisas. Passa, tudo passa. Então, num dia comum, num dia totalmente sem propósito, jogam-me esses botões de plástico como se eu fizesse muita questão. Desabotoada, segui em frente. Não, ainda não faço questão. E acho que nem farei, embora eles tenham sido meus. Fico feliz que saiba me desapegar daquilo que precisa, inevitavelmente, morrer. Algumas outras tantas coisas ainda não se conformaram com o prenúncio certeiro da morte. Não tenho pressa, tampouco me aflijo.

27 de novembro de 2011

Arquitetura

Pra que te quero? Te quero?

7 de novembro de 2011

Com esses olhos fundos

Com esses olhos fundos, vejo mais do que gostaria. Tudo se encaixa, nada se resolve. Por que, mãe, você faz isso? Pai, que eu faço para te irritar tanto? Irmã. Deixem-me sonhar, não me pisoteiem dessa maneira, sempre essa dose lenta, pequena, que só eu vejo. Chega disso e chega mais perto, vê que tenho sonhos. Será que ainda os tenho? Sou irmã mais velha, mas ainda assim, sou irmã. Pai, eu não sou minha mãe, pra você chegar e descontar suas frustrações. Mãe, eu não sou pistola pra você atirar em meu pai, culpando-o pela minha tristeza. Acordem, pelo amor de deus, sou humana. Não sou instrumento. Não sou ameaça. Era pra eu ser filha. Fecho meus olhos e tudo isso continua. Estou num ninho de serpentes, sem veneno, mas com dentes afiados. Quisera eu saber a verdade e me satisfazer com ela, como fazem os prepotentes.Tenho a sensação de saber das verdades e a impotência de revertê-las. E é isso que me mata todo dia um pouco.