Botões
Deixei, sem querer, botões vermelhos caírem pelo meio do caminho. Na verdade, deixei que fossem roubados, bem debaixo do meu nariz. E segui meu rumo. Não me importei de continuar sem eles e sem outras tantas coisas. Passa, tudo passa. Então, num dia comum, num dia totalmente sem propósito, jogam-me esses botões de plástico como se eu fizesse muita questão. Desabotoada, segui em frente. Não, ainda não faço questão. E acho que nem farei, embora eles tenham sido meus. Fico feliz que saiba me desapegar daquilo que precisa, inevitavelmente, morrer. Algumas outras tantas coisas ainda não se conformaram com o prenúncio certeiro da morte. Não tenho pressa, tampouco me aflijo.
