9 de dezembro de 2009

Vazio

Costumava encarar o vazio como uma sombra pegajosa e irritante. E queria fazer de tudo para me livrar dessa persona sombria, procurando sempre vivências. Queria ser apaixonada pela vida. Mas eu experimentava o que eu vivenciava? Ou eu me fazia viver e de tanto querer viver não vivia verdadeiramente?

Francamente, encher-se de vazios é não se preencher com nada.

Preenchendo a minha vida com amor até nas lacunas mais escondidas, esvaziei-me de vazios e me enchi de paz.

De repente, eu é que passei muito tempo da minha vida perseguindo vazios. E eu que devia ser a sua sombra.

Serve como experiência. E serve bem, muito bem.

4 de dezembro de 2009

Traições

Há diferenças sutis entre traição e sentir-se traída.
Traição é fato. Sentir-se traída acontece quando nossa integridade é picotada por fatos exteriores a nós. Traição acontece, é mundana. Sentir-se traída é teste máximo de resistência, é senntir-se em pedaços, é sentir-se frágil, é sentir-se sem chão e sem sentido. É mais que teste: é resposta, pois nos mostra nossa humanidade, nossa animalidade.
Sentir-se traída deve ser pior do que ser traída. Porque dói por tempo indeterminado.

3 de dezembro de 2009

São Paulo

Não tenho muito o que dizer sobre a cidade, pois muito já foi dito, cantado, pintado, representado. Se gosto ou se não gosto, já perdeu a importância. Estava curiosa a respeito de quem tinha sido o santo e, presquisando, descobri que ele foi um dos apóstolos de Jesus, praticamente um erudito entre pescadores. Ao que parece, ele contribuiu para que o cristianismo se tornasse bastante rígido ao longo do tempo. De certa forma isso me lembra muito o que a cidade é para mim, um homem culto entre pescadores simples. Porém, tão homem como os outros. No fim das contas, São Paulo só é uma cidade como as outras.

1 de dezembro de 2009

Sonhos e chuva

Acordei depois de mergulhar em rios barrentos, de pelejar contra pontes que só sobem e nunca descem, de subir em árvores muito altas, de fugir de estupros de homens maliciosos, de lutar contra perigosos assassinos, de me esconder em escuras ruas desconhecidas, de andar por viadutos estranhos.

Acordei e estava cinza.

E esperei.

E a chuva caiu.

E dormi como uma coruja morta, com asas e pescoço contraídos em fome, frio e tédio.