22 de julho de 2012

Fora

Agora que coloquei dentro dessa minha cabeça que tenho que botar tudo pra fora, talvez o bicho pegue. Ou talvez eu só volte a escrever um dia.

21 de julho de 2012

Frio

Essa dificuldade que hoje eu tenho para escrever é a mesma que eu tenho para botar tudo pra fora. Simplesmente botar tudo pra fora. É muito amor. E muita tristeza. É tudo ao mesmo tempo, na verdade. Paz e caos. Calor e frio. Saudade e independência. Não são os opostos. São todas as coisas, misturadas, trituradas, renascidas, mortas. Todas juntas dentro da minha cabeça, dentro do meu corpo, dentro da minha alma. Quero ir, quero ficar. Quero estar em todos lugares ao mesmo tempo. E eu quero isso porque nenhum quer trazer paz ao meu espírito. Quero ir embora, quero ficar em movimento para não mover meu pensamento. Eu odeio tudo o que eu escrevo hoje. E só quem sabe como eu amava escrever poderia entender isso. Talvez não. Para que quero que alguém entenda alguma coisa? Para que entender? A verdade é clara: todo mundo vai morrer e ninguém sabe pra onde vai. Ainda assim ninguém consegue parar de desperdiçar tempo, talvez ele seja feito para isso mesmo. Eu entendo tão bem e, mesmo assim, não consigo me conformar. Talvez eu não entenda porra nenhuma. Por que tudo precisa acabar? Se até mesmo essa tristeza vai passar, por que isso não consola? Por que você foi embora antes de mim? Era para eu carregar essa culpa. E agora eu vou carregar esse vazio, esse buraco nesse peito que odeio, que não consigo carregar. Desesperadoramente cheio de vazio. Não quero nada, não quero voltar para o passado. Só quero a sensação que sentia quando éramos felizes. Todos nós. Não quero a busca, não quero nada. Só quero sentir aquilo de novo, maior do que eu, maior do que o limite da eternidade. Aquilo e nada mais. Não preciso pedir ao diabo que pare o tempo, congele aquele belo instante. A sua passagem é que justamente é o barato da coisa. Sentir aquilo fluir, descompassado, selvagem. Amor naquilo tudo que o relógio não descreve. Agora sei o que eu sinto. Frio, todo frio do mundo. Meus pés estão imóveis, gelados, roxos. Minhas mãos. É inverno da alma. Mudar de me hemisfério não vai me trazer o verão de volta. Vai me trazer algo de volta? Nada, nada. Existe algo novo? Queria que existisse, mas não estou otimista. Fingir para quê? O sofrer já está insuportável, mas a vida é assim às vezes. Sempre parece a pior dor de todas. Não sinto mais os meus pés. Esse vento gelado entrando por esse vitrô velho, deve ter umas estórias estranhas pra contar. Mas agora não quero ouvir nada. O que fazer com essa apatia? Você pode envelhecer, mas, no fundo da alma, as dúvidas são sempre as mesmas porque os medos são sempre os mesmos. A Alemanha era meu refúgio, era a minha terra prometida. Você não tinha o direito de conquistá-la antes de mim. Tô enciumada da terra que não é, nem nunca foi, minha. Quando me afasto de você, também me afasto da verdade. Não era pra ser assim também. Não era pra ser nada disso agora, mesmo sabendo que depois pensarei que era pra ter sido assim, já que foi e deu naquilo que ainda não foi. Meu Deus!!! Salvem minha alma. Ninguém. Só eu vou poder mergulhar mais fundo. Só eu vou poder voltar para a superfície de mim e respirar. Talvez seja isso. É, talvez eu precise aceitar isso. Talvez eu precise dormir. Não quero fugir. Não quero fugir. Quero ter força para rezar. E pedir, implorar para que tudo o que é ruim saia desses caminhos entre mim e o resto do mundo. Me fecho ou me abro? Fico ou vou? Só preciso saber como vou fazer tudo isso. Espero ou reajo? Que faço eu? Quero saber, quero responder, quero matar essa charada. Já é um querer. Sempre quis saber tudo. Agora quero saber como eu paro com isso.

3 de julho de 2012

8h

Oito horas para fazer o que precisava ser feito em 8 dias. Oito horas: três plantas, três cortes, quatro elevações e uma maquete. Dezoito horas para tudo terminar. E quando terminar, meu deus, nunca achei que fosse sentir falta! Adeus, FAU, quando te reencontrar, já serei outra. Tu também serás. Mas seremos ambas ruína e renascimento.