28 de agosto de 2010

Cordilheira dos Andes

Ao teus pés, uma imensidão de areia branca, puro sal.
Tudo entre o muro gigante e a desvairada estrada de terra.
Eu deixo o muleque correr, vai irmão, segue os passos que dei outrora.
Volto pra buscar meu pai, não se abandona alguém que se ama assim, sem despedida.
Aqui tudo é tão grande e ainda existe o outro lado do muro.
Mas não se chega lá correndo em sua direção.

27 de agosto de 2010

Felicidade calma

Hoje, os instantes de lucidez já não me atingem como bofetadas na cara. O que é ruim vai se acertar com o tempo. O que é bom já tá bom.
Sem enxaqueca, sem remédios, sem roer unhas, sem fazer coçar a cabeça compulsivamente, sem angústias inexplicáveis, sem nada daquilo! Ôxi, eu tô é sem vergonha, isso sim. Sem vergonha de ser descoordenada, de ter a voz rouca e grave, um pouco mole, da celulite e da estria, de amar do meu jeito. Tô sem vergonha de ser o que sou.
E ainda por cima tô sem medo. Sem medo de ficar triste, sem medo de surtar, sem medo da felicidade ir embora (porque ela sempre vai, a gente só esquece que ela sempre volta). Cautela, isso tenho de admitir, eu tenho, nova cria minha.
Hoje, os instantes de lucidez me deixam lúcida.

25 de agosto de 2010

Sonho de Alice

Com direito a: coelhos que correm na velocidade do som e pulam a 3 metros de altura, caminhadas de 250km que não cansam (até São Carlos), quarteirões feitos de piscina e vias azuis encharcadas de água cristalina.
Mas que coelho danado, corria tão rápido, não conseguia alcançá-lo! Disparou quando tentei resgatá-lo de baixo do carro! E, quando eu finalmente o alcancei, ele estava todo deitado e já tinha multiplicado umas 100 vezes seu peso!
A gente sonha cada uma!
E minha mãe que sonhou com um lagarto de gravata? Hahaha...
E o que há por trás disso tudo? Tanta imagem bizarra! Hahaha...

15 de agosto de 2010

Sei que vai passar

Já tá passando.

14 de agosto de 2010

Perfect day

Just a perfect day
drink sangria in the park
And then later when it gets dark
we go home

Just a perfect day
feed animals in the zoo
Then later a movie too
and then home

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on

Just a perfect day
problems all left alone
Weekenders on our own
it's such fun

Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was someone else
someone good

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on

You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow




Quando ouvia Lou Reed todo dia, achava que essa música era sobre algo feliz. Que ingênua! Como repeti tantas vezes "I thought I was someone else, someone good"? Como cantei ao lado da minha melhor amiga e continuei tão feliz? Ela também achava a letra linda e ficava feliz! Oras, isso dá vontades suicidas. Olha a miséria humana. Quando éramos ingênuos, éramos tão felizes, todos nós. Mas aí veio a vida e nos lembrou da nossa condição: humanos.
Oh, well, it's such a perfect day, I'm glad I spend with you...

Eu gostaria de ver todas essas coisas com alegria.

Eu queria muito a nossa casinha no campo, nossos muitos filhos, tanto os da barriga quando os da adoção, queria as nossas aventuras felizes, queria o nosso esforço contente, a nossa vida simples. Mas não somos macacos... Quem dera eu fosse um saguizinho!

Humanidade

Nos últimos tempos, havia me tornado alguém menos ranzinza. Pensei que não fosse mais pensar o que sempre pensei da humanidade. Repugnante. Como pode tanto lixo? Pensei que o amor tivesse sido um grande herói, me resgatando dum vazio gigante que dominava o meu ser. Comecei a acreditar num mundo melhor, mais bonito. Mas não, não foi. O amor não salva - e por que continuo querendo salvação? O amor tem suas virtudes, mas não é salvador de nada, de ninguém e nem tem que ser. A ilusão deve ser. Mas, desilusão, como seu gosto é amargo, é podre.
O ser humano é tão escroto que é capaz de contemplar aqueles que escrevem "genialmente" acerca da infelicidade, porque nada de real lhes sobrou. Gênio da literatura, gênio do cinema, gênio da fotografia, gênio disso ou daquilo. Reparem bem na proporção entre os que falam de sofrimento (incluindo os que associam qualquer possibilidade de bondade à dor) e aqueles que falam de beleza, bondade, alegria por si só.
É a roda da fortuna? Deve ser. Que porcaria baixa é o ser humano.
Felizes daqueles que não sabem o que é felicidade.
Felizes daqueles que não sabem de nada. Que latem. Que miam. Que brilham. Que fedem.
Tristes daqueles que pensam.

Mas, e agora, que já nascemos fadados ao pensar? E agora, é possível viver uma vida completa?

Não quero genialidade em nada, não quero diferenciais, não quero sorte, não quero dons. Bom, pelo menos tudo seria melhor se eu não pensasse nisso, se eu, ao invés de desejar o não-querer, não desejasse simplesmente. Quero viver. Não quero querer.

11 de agosto de 2010

कुंडलिनी

É aquela luzinha que desejo que fique forte. Agora vejo: já não é mais fraca, nunca foi fraca. Apenas dorme profundamente.
Hei de vigiar tua casa todos os dias. Hei de zelar pelo teu sono, para que acordes na hora certa.
Luzinha fraca

Fica forte, por favor.

7 de agosto de 2010

Água viva

Hoje eu descobri que epifania não é o tipo de coisa que se alcança, mas o tipo de coisa com que se é presenteado.

Eu, sempre pé atrás, hoje fui abençoada. De onde você veio, moça? Ela vinha de bem longe (Coréia). Eu ensinei a ela até uma expressão em português. E ela me ensinou tanto sobre mim.

Você já veio até mim, mais ou menos, há um ano. Mas você estava noutro corpo, tinha outros trejeitos. Eu tava na rua, perdida, transtornada, cheia de medicamentos no corpo pra tentar em vão aliviar a alma e dor no coração. E você chegou tão doce, me ofereceu ajuda, me acalmou até eu ter condição de pegar um ônibus pra casa, pra casa que nunca foi minha, na são paulo a que nunca pertenci. Veja, você estava indo pro hospital, visitar uma irmã que estava bem doente. E você me ajudou sem pedir nada em troca, eu que nem doença tenho, que sofro mesmo é da alma.

Quanta bondade pode existir, quanta bondade desejo jorrar.

Onde quer que estejam, quem quer que forem, obrigada por tanto amor e bondade.