Nós, os românticos
Não aceitamos ver o mundo com olhos frios.
Nos descabelamos diante de tanta frieza.
Gritamos até explodir o peito.
Queremos mudar o mundo, do nosso jeito idealista.
Aí percebemos que o mundo não tem conserto.
E vemos que nós, individualmente, estamos quebrados também.
E quem vai colar as nossas partes?
Ficamos esperando que alguém o faça.
Enquanto isso, nos distraímos, de fase em fase.
Sempre prontos para afogar alguém com tanto amor.
E o amor consome.
Nos deslumbra para depois nos descabelar, mais uma vez.
E, sozinho, o amor nos explode o peito.
Nos faz sangrar.
E a gente até passa a querer amar menos.
Uns começam fugir e seguem assim até o fim.
Outros chegam no fim sofrendo desde sempre.
São todos românticos, loucos, ávidos.
Perturbados.
Ciumentos.
Violentos.
Amorais.
Imorais.
Apaixonados.
Querendo ficar calmos, sem nunca ter êxito.
Querendo ser algo que não á da nossa natureza, tão humana e tão selvagem.
Querendo não sofrer tanto.
Mas tem como, amando tanto?
Não, isso não é uma poesia.
